Quem é você? O que você está fazendo nesse mundo?
Se não me engano, foi com essas duas perguntas que começamos o ano letivo de 1997, na aula de física. Deveríamos responder por escrito e entregar para o professor Orlandino, amado por uns, odiado (e muito mal compreendido) por outros, mas lembrado por todos que passaram pelo Santo Agostinho do Leblon. No auge de nossa adolescência, aquilo parecia fazer pouco sentido para quem estava se preparando para o vestibular. Mas foi com essas e outras esquisitices que ele despertou nossa curiosidade, nos fez parar para pensar por conta própria e instigou questionamentos sobre nossa relevancia perante o universo.
E ao se deparar com monumentos grandiosos, construídos há 3, 4 mil anos atrás, fica impossível não pensar no assunto. Estou no berço de todas as civilizações, a origem de tudo o que conhecemos hoje como sociedade, surgida milênios antes do império grego ou romano. A magnitude das construções ou a idade das mesmas nos poe em nosso devido lugar. São templos e mais templos, tumbas, pirâmides, tudo construído para reis, faraós, deuses como forma de viver para eternidade. Muita coisa destruída ao longo de tanto tempo, mas outras incrivelmente intactas. O Egito não estava nos meus planos iniciais e nunca havia me interessado muito por sua história -- na verdade, deveria ter me preparado mais, estudado um pouquinho mais a historia do pais antes de embarcar para ca, mas fechei minha vinda há duas semanas atrás. Por tudo isso, tinha poucas expectativas em relação a viagem, o que é sempre bom, pois nessas circunstâncias, qualquer coisa que aparece em nosso caminho acaba surpreendendo muito positivamente. E é isso que está acontecendo...
Tá bom, mas chega uma hora que visitar templos e mais templos cansa, e bastante. Principalmente no calor infernal do deserto. A partir de certo ponto, todos começam a ficar iguais e a melhor coisa nessas horas é se divertir fazendo algo completamente diferente, como andar de camelo pelo Saara, fazer corrida de burros, andar de balão, relaxar num cruzeiro pelo Nilo, o coração do Egito e, é claro, testemunhar e participar da conquista da Copa Africana. O povo aqui também é fanático por futebol e a comemoração foi intensa, varando a madrugada pelas ruas do país. As de Luxor, onde estamos, foram tomadas por egípcios insanos, quase 100% homens (as mulheres ainda tem um papel restrito na sociedade), fazendo exatamente o que a gente faz no Rio, com um pouco mais de irresponsabilidade incluída, talvez como forma de resgatar o orgulho perdido ao longo do tempo. Mas como uma ligeira diferença: muçulmano nenhum bebe álcool... Se estavam todos 100% sóbrios, imagino como seria se estivessem bêbados... Os gringos ficaram chocados. Eu, como um representante do país do futebol, mostrei a eles como se comemora, talvez liberando a emoção até então reprimida de ser hexacampeão brasileiro.
(*) Misr = Egito em árabe













2 comentários:
só espero que essas fotos que você está tirando estejam em resolução suficiente para impressão. a primeira imagem da placa no deserto é muito boa assim como a maioria delas. orlandino, não pensava nele tinha tempo. grande figura. vamos colocar as crianças no banco da frente, deixar os aleijados para trás... as aulas deles eram muito estimulantes realmente. os alunos precisam de professores que façam pensar. é tão relevante que você, no meio de um mar de areia, pensou nisso e certamente não se lembrou da mitocondria ou de matriz. mais uma vez, excelente update. por aqui nada novo. estou adestrando o franz, acho que isso é a novidade do momento. ele vai virar um rapaz educado daqui a pouco. isso é o que espero, pelo menos. grande abraço cara.
Foto MARA do camelo Rafa!!
Se prepara ae então para comemorar a Taça Rio pq estamos indo com tudo!! 5 x 3 no FLU foi demaiiiiissss! Scheeeeins!
bjobjo
Mari
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