sábado, 10 de outubro de 2009

Tokyo

Depois de 4 dias em NY e muitas horas de voo, cheguei do outro lado do mundo. Apos algumas informacoes desencontradas, uma agente da imigracao que falava um ingles macarronico e 40 minutos perdidos, consegui meu shore pass, que me permite permanecer no Japao por 3 dias. Mas como pego um voo amanha de manha (noite de sabado no Brasil) para a India e a cidade de Tokyo fica a 1 hora e meia do aeroporto, decidi me entocar no hotel do aeroporto mesmo para me dedicar a leitura, internet e descanso.

Estou acabando de ler No Ar Rarefeito, excelente livro do Jon Krakauer, um jornalista que conta a historia de sua escalada ao Everest em 1996, quando 12 alpinistas de 4 expedicoes diferentes morreram. Algumas pessoas chegam a me alertar: "Nao vai se empolgar e tentar...." quando eu prontamente as interrompo falando que nao existe a menor chance, principalmente devido a 2 motivos bem basicos (pra nao contar a minha total inexperiencia em alpinismo!!): para participar de uma expedicao dessas voce deve pagar cerca de US$70 mil e a maior parte das tentativas de escalada sao feitas entre abril e maio, e duram no minimo 2 meses. Portanto, quando eu chegar no acampamento-base do Everest, se eu realmente chegar, a 5300 metro, ele estara completamente deserto de alpinistas (na temporada de escalada, chega a ter 200 barracas). Digo "se eu realmente chegar" pois, apesar de ser um trajeto relativamente facil, nunca testei meu corpo perto dessa altitude e nao sei como ele reagira (o maximo que ja cheguei foi menos de 3000 metros esquiando). O oxigenio no ar a 5300 metros eh metade do encontrado ao nivel do mar, e soh para se ter uma ideia, a 8848 metros, no cume do Everest, o ar contem apenas um terco do oxigenio normal, o que torna a escalada sem tubos de oxigenio quase impossivel para os mortais.

Portanto, fiquem tranquilos, pois o meu programa eh bem mais light, farei um trekking de "mauricinho metido a aventureiro", como li certa vez em algum artigo. Me juntarei a um grupo de tamanho incerto ainda, mas que contara com outros 2 brasileiros, guia, carregadores sherpa, dormiremos em abrigo todo dia, com cama e comida, e a programacao preve 2 ou 3 dias de aclimatizacao em diferentes lugares para irmos condicionando nosso corpo a altitude. Mas mesmo assim, a adrenalina ja esta correndo no meu sangue. Que venha a montanha!

3 comentários:

Unknown disse...

Não perdeu tanto não ficando em Tokyo - a cidade não chega aos pés do resto do seu itinerário. Não posso dizer o mesmo em relação ao resto do Japão, o que dá motivos para ficar 30 dias circulando.

Acho que v. deveria ter se planejado para subir esse tal de Everest - deve ser moleza. Um dia fazemos juntos...

Unknown disse...

Ahhh, como era o hotel em Tokyo? O que eu fiquei só tinha quartos individuais, não baratos, e as camas pareciam aquelas do IML e coisas do gênero, BI-zarro!!

Anônimo disse...

Meu garoto!!! Comecei hoje a ler seu blog. Infelizmente, o cabeçao do Rodolfo só me contou hoje respeito do mesmo!

Primeiramente, o senhor está de parabéns por toda atitude (não que eu tenha feito essa descoberta apenas hoje!), muito legal mesmo cara. De deixar qualquer um orgulhoso de saber que tem gente que faz isso.

Cara, primeira obs sobre esse seu primeiro post: o Jon Krakauer é o mesmo que escreveu into the wild, que virou filme há uns 2 anos atrás. Imperdivel, lição de vida. Plageio aqui as palavras do amor da vida, minha futura esposa que resume bem a história (verídica por sinal) em seu blog (vai depois no blog dela que você vai gostar:toyield.blogspot.com): "Estas duas pessoas me remetem a um livro que eu li quando tinha uns 12 anos, chamado “Into the Wild”, do John Krakauer. Recentemente, ele virou filme do Sean Penn, e recebeu o título em português “Na Natureza Selvagem”. Ele conta a história do Chris McCandless, um menino middle-class americano, que resolve doar todo o dinheiro que tem para uma instituição de caridade, e seguir rumo ao Alaska, para longe do mundo capitalista no qual sua família vive. O que ele queria, em seus próprios termos, era “live off the land”- tirar o seu sustento da terra. Again, cansou-se da sua faculdade, do seu mundinho quadrado e previsível."

Isso aí meu garoto, virarei acompanhador assiduo do seus posts! Sucesso e boa sorte em tudo!

Abraços,

Horovitz