domingo, 18 de outubro de 2009

6o dia

Alguns highlights dos primeiros 6 dias:

Nivel de dificuldade: a trilha em si eh bem tranquila, se comparar a travessia Petro-Tere, mas o que pega aqui eh a altitude. No meu caso, a dificuldade foi potencializada pela fraqueza provocada por 2 dias de diarreia e pouquissima comida, alguns momentos de tontura e dor de cabeca. Depois desse susto, passei a caminhar em passos de tartaruga, estilo idoso, sendo que aqui usamos 2 trekking poles, em vez de uma bengala.

Comida: os lodges tem um cardapio bem variado, oferecendo desde comidas sherpas a pizzas, massas e batatas (uma das poucas coisas produzidas na regiao). Carne e frango nao sao recomendaveis pois eles nao tem geladeira. Apos os efeitos catastroficos da minha aventura na culinaria sherpa, tenho comido apenas macarrao no almoco e jantar. E nunca tomei tanto cha preto em minha vida. (apenas um parenteses: a Coca-cola eh sinistra mesmo, ate nos lugares mais remotos do mundo, voce encontra uma garrafinha em qualquer birosca).

Mala: temos direito a 1 mala (uns 85 litros) para os 15 dias. Como raramente dormimos 2 noites no mesmo local, organizacao e planejamento de roupa sao essenciais. Como organizacao nao eh o meu forte, estou tendo certa dificuldade, mas ate que estou me saindo bem. Detalhe: o guia e os carregadores trazem apenas uma mochilinha para os 15 dias. Como voces podem imaginar, ja estao fedendo desde os primeiros dias.

Banheiros: ate o nosso 4o dia, tivemos banheiro privativo com chuveiro quente e vaso sanitario. Depois disso, somente banheiros comunitarios sem banho quente e com aquele buraco no chao para as necessidades! Tentando enxergar o lado bom de todas as coisas, agradeco por ter passado mal nos primeiros dias, quando ainda havia condicoes adequadas! Espero nao passar mais por isso daqui pra frente.

Frio: comecamos a pegar temperaturas negativas a partir da 4a noite, quando usamos pela primeira vez nossos sacos de dormir. De agora em diante, todo cuidade eh pouco para nao pegar gripe. Se alguem tiver dor de garganta, o guia nao deixa subir ate o acampamento base.

Blackberries Anonimos: para um viciado assumido como eu, que ficava quase 24hs online no email, BBM, MSN, etc, o Nepal esta sendo uma clinica de reabilitaca, totalmente desconectado do mundo por dias.

Partes boas: bem, depois de tanto perrengue, ainda pode existir alguma parte boa? Existe sim, e vale cada sofrimento que estamos passando, pelo menos ate agora. Obviamente, tem pessoas que tiram isso tudo de letra, principalmente os europeus que ja nao sao muito chegados ao banho e aquelas pessoas acostumadas a acampar sempre. Eu ja acampei bastante, mas apenas na epoca da faculdade, e costumo tomar banho 2x por dia, portanto, esta sendo naturalmente mais dificil pra mim. Mas mesmo assim, o visual e o convivio com uma civilizacao que te remete a seculos passados, tudo isso nao tem preco. Palavras nao conseguirao convencer ninguem, portanto pararei por aqui e deixarei a parte boa para ser apreciadas atraves das fotos que colocarei quando voltar a Kathmandu.

1 comentários:

Unknown disse...

Dormir com temperatura abaixo de zero... Rings a bell!!!