quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cape Town

É sempre muito mais interessante contar sobre os lugares exóticos, pouco conhecidos, fora do mainstream, até porque esse era o objetivo da viagem, ir aos lugares remotos, que eu nunca tinha ido antes e que provavelmente demorarei a voltar. Mas devo admitir que tiveram alguns lugares que não se encaixaram em nenhum dos quesitos acima mas mesmo assim mexeram comigo. Sydney certamente foi um deles. E Cape Town foi outro. Mas ao contrário de Sydney, que eu já tinha uma predisposicao a gostar, Cape Town foi way above expectations pra mim... Os dois possuem várias coisas em comum e que combinam muito com o estilo carioca, mas sem a violência e desigualdades aparentes. Fácil se sentir em casa. E depois de quase 10 dias (5 com o pessoal semana passada e 4 com a minha irma Bolota), deu um aperto no coração se despedir da cidade. Principalmente sabendo que não poderei voltar para a Copa do Mundo, quando aquilo ali deve ferver!

Mas acabamos de chegar em Dar es Salam, capital da Tanzania. Essa sim se encaixa na categoria "roads less traveled". Até começar minha trip, não lembro de conhecer ninguém que tenha vindo pra cá, pelo menos não que eu saiba. O país está naquele grupo dos menores PIBs per capita do mundo, dominado pelos africanos (bottom 20 do mundo), mas aqui se encontra o Kilimanjaro, o pico mais alto da Africa, alguns dos melhores safaris do mundo... e a última coisa que nego acha é que aqui vamos encontrar praias paradisíacas. Mas é exatamente isso que viemos fazer nesse lugar, relax total em um mar azul bebe e areias brancas...

Abaixo um pouquinho mais de Cape Town.




terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Random...

South African skies and others...









sábado, 20 de fevereiro de 2010

The Big 5

Dos Big 5 só faltava a gente encontrar o leão e ainda havia 2 safaris a fazer. Em um deles, apenas mais do mesmo, nada de leão. A reserva é relativamente pequena comparada com o Krugers Park, mas ainda assim tem 80 mil hectares, e os bichos ficam totalmente soltos... Nada de GPS ou rastreador para encontrá-los. Dependemos única e exclusivamente dos nossos 2 guias e, por sorte, caímos com o melhor e mais experiente de todos, aparentemente. O cara tinha um olho bizarro, rastreava as pegadas dos animais na estradinha de terra, enfiava a Land Rover no mato sem se importar com que vinha pela frente, tudo pra encontrarmos os benditos leões, reis da selva. Mas nada deles. Já passávamos da metade do nosso último safari e mesmo a cena de 2 leopardos acasalando, o que é tão raro quanto, pra não dizer mais raro ainda, não substituia os leões. Quando de repente aparecem não apenas 1, mas 4 leoas na estrada a nossa frente. Pareciam não se importar com a nossa presença, estão acostumadas ao movimento constante de carros. Estavam lá, descontraídas, sentadas, brincando até que avistam um daqueles bambis, que não sei o nome exato. Ele estava na outra margem de um laguinho e elas passam a se concentram fixamente na potencial presa do dia. Olhares na mesma direção, sem piscar, como se preparando o ataque. E nós torcendo dentro do jipe, imaginando uma cena memorável. Uma delas começa a se movimentar lenta e disfarçadamente para cercar o pobre bambi. Uma segunda leoa faz o mesmo, mas é vista pelo alvo, que foge rapidamente. Já era. Agora elas tem que procurar outro almoço. Mas valeu, e bastante. Não conseguimos ver o leão macho, que dorme mais de 15 horas por dia e só caça a noite, quando sua visão preto e branco se torna infinitamente melhor do que a dos demais animais. As fêmeas fazem esse trabalho por eles. Mas missão cumprida. Big 5 completo.




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mama África

Eu sei, ninguém vai ler nada do que eu escrever essa semana -- aliás, vocês que estão certos, o que eu estou fazendo passando o carnaval na Africa do Sul? Ou melhor, na Saudi Africa, como diz o professor Joel Santana... Essa é uma ótima pergunta, mas ai vai a resposta...
























Na verdade, apesar de já ter passado teoricamente mais de 2 semanas nesse continente (10 dias no Egito e 5 em Cape Town), sinto que somente ontem, quarta-feira de cinzas, entrei de fato na África. O Egito é considerado muito mais Oriente Medio do que África, por conta do povo, cultura, religião, etc. E Cape Town, bem Cape Town é muito mais Europa do que África.

Primeiro pela língua principal que é o inglês -- se bem que na maioria das vezes é quase impossível decifrar o que os locais estão dizendo, já que eles falam com um sotaque esquisitissimo (existem mais de 10 línguas oficiais no país mas o inglês é a principal). Segundo pelo alto padrão de vida, pouca pobreza, ruas limpas, minoria negra, muito luxo, carrões importados, vida noturna bombante, bons restaurantes e pessoas lindas. Estou aqui com o Tonton e o Buzu, dois amigos do banco, e vocês sabem como é esse povo do mercado financeiro né? Ahahahah Sempre esbanjando! Entramos no clima e alugamos uma BMW conversível (nunca vi tanta BMW, nem em NY), jantamos algumas vezes no Nobu (eleito, por mim, o melhor restaurante do mundo), mergulhamos com tubarão branco, visitamos a praia dos pinguins, Cabo da Boa Esperança, etc, etc.

E viemos ontem pro interior do país, para 2 dias de safari na savana, conhecer a verdadeira África. Já havia andado de elefante, visto girafa, zebra e veado, abraçado leão, etc, tudo isso la na Tailândia. Mas isso aqui é totalmente diferente. Esse é o habitat natural dos animais, ninguém os colocou aqui, ninguém os alimenta nem os socorre, é a natureza na sua forma mais pura e selvagem, e nós ficamos apenas de espectador. Serão 4 passeios no total, 2 de madrugada e 2 final de tarde. E já nos primeiros vimos 4 dos Big 5 animais da selva: rinoceronte, um leopardo jantando um javali, elefante e búfalo. Só falta agora o leão, mas esse é difícil encontrar... E pela primeira vez entendi para que realmente serve uma Land Rover... o bicho é um verdadeiro trator, um tanque, e colocá-la no asfalto de uma cidade é no mínimo um grande desperdício!

Depois da minha teoria falhar no Oriente Médio e eu não esbarrar em nenhum brasileiro durante 3 semanas, a brasileirada se faz presente na Africa do Sul. Encontramos muitos brasileiros em Cape Town e, no hotel do safari ,cerca de 50% dos hóspedes são brasileiros. Isso porque ainda tivemos a ilustre companhia de Livia, Fernandinha, Elisa e Juliana, amigas do Rio que coincidentemente vieram para o CarnaCape também.

PS: De bônus seguem algumas poucas fotinhos de Israel que acabei não colocando no blog antes. Essa época de carnaval acaba contagiando os brasileiros em qualquer lugar do mundo e acabamos preguiçosos mesmo. Mas aí vai Jerusalém, Mar Morto (onde afundar eh impossivel), territórios palestinos onde israelenses não entram e uma piadinha sobre essa eterna guerra santa...






quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Holy in the Holy Land

Confesso que nunca entrou muito na minha cabeça o por que dessa disputa louca e eterna entre palestinos e judeus. Desde muito antes de nos entendermos por gente, essa galera se mata numa guerra sem fim, e o bagulho parece ser tão complicado e está tão distante de nossa realidade que nunca tomei a iniciativa de realmente entender o que acontece nesse canto do mundo. Na verdade, não sei nem se isso é possível...

Assim como nunca associei esses eventos contemporâneos àquelas historinhas que aprendemos na aula de religião do colégio, na leitura da Bíblia, na busca da Terra Santa, da Terra prometida aos descendentes de Abraao. Abraao??? Isaac? Jaco? Moises? Josue? Quem são esses caras? Quem é filho de quem? Nossa, essas coisas estavam tão distantes, tão esquecidas em algum lugar remoto do meu cérebro, que achei que nunca serviriam para nada... Mas agora sim, depois de alguns dias de treinamento intensivo e in loco (a maioria dos eventos do Antigo e do Novo Testamento se passou justamente no Egito, Jordania, Israel e nos territórios palestinos), as coisas ficaram um pouco mais claras para mim.

E como é bom aprender por vontade prórpria, apenas por interesse intelectual, e não por obrigação... Nunca gostei muito de história no colégio, sempre achei um saco, me identificava muito mais com matemática e outras exatas, e supreendentemente hoje em dia é uma das coisas que mais me fascinam, mais me despertam a curiosidade, como uma forma de entender um pouco mais o mundo que vivemos. E é justamente isso o que essa região aqui mais tem a oferecer... história.

PS: Se o seu passaporte tiver o carimbo de Israel, você não entra na maioria dos países árabes. Mas, para burlar essa palhaçada, o governo israelense disponibiliza um formulário que é carimbado e anexado ao seu passaporte, para ninguém saber que você passou por lá...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Jordânia

Petra. A única coisa que eu sabia sobre a Jordania era isso: Petra, a Cidade Perdida, The Rose-Red City, Indiana Jones e a Ultima Cruzada, uma das 7 maravilhas do mundo moderno (agora só faltam 3 pra eu completar as 7!)... Não que exista muito mais que isso na Jordania (hehehe, brincadeira), mas certamente é disparado a maior atração do país e o highlight da minha trip pro Oriente Medio ate agora. Sinceramente, fiquei mais impressionado com Petra do que com as piramides no Egito. Petra é uma cidade inteira quase totalmente escavada das pedras, onde viviam umas 30 mil pessoas. E o mais incrível é que 85% da cidade ainda está embaixo da terra, esperando dinheiro suficiente para ser escavada.

Mas a Jordania realmente não é só Petra. Tem muito mais. Muito mais deserto, isso sim. Oitenta porcento do país é deserto, e da mesma forma que o Egito depende do Nilo para agricultura, a Jordania só consegue plantar qualquer coisa as margens do Rio Jordao, onde Jesus foi batizado. Aqui não se produz quase nada, além de um pouco de fertilizante e a principal atividade do país é o turismo mesmo. Mas mesmo assim o país é muito mais limpo que o Egito, o padrão de vida é mais alto e as coisas são mais caras. A capital Amman não se compara a Cairo e todas as constuções são de marmore branco.

A Jordania foi palco de várias passagens bíblicas. A família real é decendente direta do profeta Maomé. Moises atravessou a Jordania vindo do Egito rumo a Terra Santa. E por sua localização privilegiada, foi invadida e dominada por todo mundo: egipcios, assirios, babilonios, gregos, romanos, persas, muçulmanos, cruzados, mamelucos, otomanos e ingleses. E isso porque certamente tou esquecendo alguns!

Uma grande surpresa pra mim foi o frio polar que se faz nessa terra. E o pior, estou totalmente despreparado para isso. Toda minha roupa de frio voltou para o Brasil logo depois do Nepal pois de fato não precisei mais dela em nenhum momento até agora. Não esperava passar esse frio aqui, assim como não sabia que podia nevar no deserto! Vivendo e aprendendo...